Acabou de acabar A Favorita, aqui, e vim publicar mais esta postagem. Ontem, passei o dia fora e não tive coragem de escrever nada quando retornei à república. Très fatigué! A idéia, ontem, era irmos a um lago, que fica a uma hora do centro de Kinshasa, mas resolvemos conhecer a periferia da capital da República Democrática do Congo. O Maluku fica às margens do rio Congo. O rio divide Kinshasa de Brazzaville, capital do Congo. O rio Congo é majestoso! Nesse pedaço da cidade, muitas embarcações fazem o trajeto entre os países, levando produtos de um lado para o outro. Visitamos uma feira que comercializa de tudo (principalmente javali - uma carne muito apreciada por aqui) e encontramos muitos artigos com o nome do Brasil estampados. Aliás, o Brasil pode ser visto em muitas coisas, desde aquela sandália havaiana com a bandeirinha brasileira até a própria bandeira, vendida nos marchés da cidade. Ontem, ainda, andamos de barco pelo rio Selé, afluente do rio Congo, e passamos algum tempo no Gandayla, um espaço para pique-nique. Haviam muitos indianos e franceses no local. Descobri que o nosso segurança Tigre foi braço direito de um ex-ditador do país, um tirano de nome Mobutu, responsável por crimes bárbaros. Medo! Tiramos muitas fotos, mas as perdemos, não me pergunte como. A máquina do Eurico, que trabalha na AGL-Congo e atua no comercial da empresa, apagou-as misteriosamente. Fiquei tão decepcionado, que perdi a vontade de postar hoje. Mas superei o trauma e resolvi contar como foi meu dia. Hoje, fizemos as primeiras imagens da campanha publicitária do Congo Chance. Definitivamente, os congoleses não sabem o que é pontualidade. Acordei cedo e me dirigi para a empresa, às 7h15 da manhã (combinei com todos às 7h30), mas só conseguimos sair às 9h30. Resolvi fazer uma pequena reunião, antes de partirmos, para cobrar mais pontualidade a todos. Foi necessário solicitar guarida à polícia para podermos trabalhar em paz. Com um custo, lógico. Paguei 6.000 francos congoleses (o que equivale a 12 dólares) a um policial para termos segurança durante a gravação das imagens. Hoje, fez muito calor aqui. Estava um sol escaldante. O que fez o trabalho ficar mais cansativo. O labor é mais intenso, porque além de pensar normalmente nas imagens a serem feitas, eu tenho que pensar em francês, o que exige de mim um raciocínio redobrado. No Grand Marché, o maior mercado público de Kinshasa, fomos acuados assim que chegamos ao local, no momento em que minha assistente Safir manipulava uma handcam do cinegrafista Guellord. É proibido fazer qualquer tipo de imagem na cidade sem autorização do Estado. E paga-se por isso. Nós tínhamos a autorização, só que, no momento, aguardávamos minha outra assistente, madame Solange, que tinha ido ao escritório central do local para apresentar a autorização e com isso dar início às filmagens. Pois bem, foi um pega-pra-capá. O funcionário do mercado queria tomar a câmera. A polícia chegou e se instalou une querelle. Foi então que o chofer Carlos, um angolano bastante metido a patrón, argumentou sobre a nossa situação, em lingala, o dialeto falado pelo povo do país, e ele nos liberou. Ufa! Já era meio-dia e muita coisa a ser feita. Desisti do Grand Marché e fomos à Place Victoire. Lá, tive que pagar mais l'argant para filmarmos. Mas fizemos imagens legais. Vou postar o making off dessa produção amanhã. Por fim, fomos ao Marché de La Liberté. Já eram 4h da tarde e minha cabeça tinia. Para vocês terem uma idéia, o Marché de la Liberté fica a uma hora do centro de Kinshasa, onde fica o escritório da empresa, e toda essa trajetória foi feita enfrentando muito engarrafamento. Foi um dia daqueles. Fiquei sem máquina fotográfica para registrar a gravação, pois a bateria do aparreil acabou. Para finalizar, tive aguentar o cheiro insuportável de cola que impestava a minha sala, devido à colagem de espumas que estavam fazendo na ilha de edição numa cabine que servirá para gravarmos áudios. A minha cabeça deu um nó. Estou sendo muito burocrático, hoje, devido a todos esses infortúnios. Prometo, amanhã, uma postagem mais empolgante. Para não deixar de postar uma foto, conheçam minha assistente Safir. Parece uma brasileira, do Recife, chamada Patrícia.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário