quarta-feira, 16 de julho de 2008

Choque Estético

Paulinha Lourenço, seu desejo é uma ordem! Depois de ler seu comentário, resolvi escrever. Thais não se sinta diminuída. Sua observação também foi relevante e responsável por mais esta atualização. Confesso que, nos últimos dias, até tenho criado uma nova postagem, mas a inspiração se esvai em segundos e acabo por não publicá-la. Cansaço mental em decorrência do trabalho extenuante. Novidades são muitas. Impossível não tê-las. A República Democrática do Congo é um país de excentricidades. Homens e mulheres fazem xixi na rua na maior. Vi uma senhora levantar o seu boubou - pronuncia-se bubu -, o traje típico dos africanos e africanas, e fazer suas necessidades fisiológicas por trás de uma árvore em plena Boulevard Du 30 Juin. Na mesma avenida - a mais movimentada de Kinshasa - vi um homem abaixar as calças e ensacar a camisa na cueca, subir as vestes e seguir caminho como se nada tivesse acontecido. Mas vocês pensam que os transeuntes se importavam com o que viam? Que nada! Tudo parecia bastante natural. Très bizarre! Vocês lembram da Fifi? Da sua cabeleira que parece mais uma árvore de Natal? Pois ela não é a única a exibí-la. As negras daqui costumam alisar e pintar os cabelos de vermelho e fazer penteados dos mais extravagantes. Os cabeleireiros, em sua maioria, atuam no meio da rua. E serviço de manicure e pedicure quem faz são os homens. Já falei do cosmético que é sensação entre as mulheres de todas as idades: o ClairPlus. Trata-se de um embraquecedor que deixa a pele mais vermelha do que branca. É que o produto deve reagir quando exposto ao sol, deixando a cútis inchada. Elas parecem tomates. Tudo vale a pena na tentativa de se parecer com as ocidentais. O produto tem uma versão masculina também. Como comentei no tópico anterior, a descaracterização cultural do povo no continente é braba. Mas quanto à preservação do dialeto deles, já não posso dizer o mesmo. Tivemos que reavaliar a publicidade apenas em francês, porque boa parte dos congoleses só fala lingala. Hoje, atendi uma cantora, no processo de seleção para escolher a voz do jingle do Congo Chance, e a artista falava mais inglês que francês. Fora que o visual dela era inspirado nos mangás japoneses. Perguntava-me de que planeta ela era. Outra coisa interessante é que os homens andam de mãos dadas nas ruas (como vocês podem ver na foto). E os libaneses do sexo masculino se cumprimentam dando beijos nas faces uns dos outros - três, para casar. Já os africanos batem as testas umas nas outras a mesma quantidade de vezes. Bom, de mãos dadas estou, praticamente, com um dos apresentadores do produto. Não é o que vocês estão pensando! Estamos visitando algumas TVs de Kinshasa. Já citei que elas somam mais de 20. Pois bem, estive em 5 hoje. Amanhã, eu e monsieur Alberto vamos a mais 5. Até o final da semana, somarei 15 visitas. Aliás, monsieur Alberto é um vedete da televisão local. Não tem lugar onde ele chegue que alguém não peça um autógrafo. As TVs daqui são inúmeras, mas feitas quase que amadorísticamente. Na minha visita à Digital Congo, de propriedade do presidente Joseph Kabila, presenciei o animador (como é chamado aquele apresentador estilo VJ) comentar o aniversário de 50 anos da primeira conquista de um Mundial pelo Brasil. Futebol aqui é passatempo de todo garçon. Num campo improvisado ao lado da RTNC, a TV estatal daqui, vi um time todo padronizado com a camisa da seleção brasileira. Monsieur Alberto comentou comigo sobre a transferência de Ronaldinho Gaúcho do Barcelona para o Milan, mas eu desconhecia o assunto e tratei de cortá-lo, falando de trabalho. Assim que cheguei na AGL, procurei saber sobre o passe. Aliás, aqui, como no Brasil, todo homem é monotemático: só fala de futebol. E em lingala, o que é pior. Decidi estudar o dialeto. Encontrei um site na internet com lições básicas. Querem aprender? http://pagesperso-orange.fr/pascal.grouselle/voca.htm

Um comentário:

Unknown disse...

Querido George.
Fiquei muito feliz com tantos textos bons de ler e com seu bom e constante humor diluido neles. Saiba que também me tornarei um leitor assíduo de tua página. De toda forma, receba toda sorte e alegria em seus dias de trampo forte na África. Saudações.
Edmar Falcão