No início de maio, tive um sonho que morava em África. Pouco tempo depois, um amigo me disse que foi chamado para trabalhar num produto como um bingo na TV, na República do Congo, mas recusou por estar convalescendo de um infarto. Indicou-me. Logo em seguida, fui chamado pelo dono da empresa para uma entrevista. Ele gostou muito de mim e me contratou no ato. Em três semanas, organizei toda a minha vida: tirei visto, vacinei-me contra as doenças endêmicas da África e segui viagem. Na vinda, assisti o sol nascer em pleno Oceano Atlântico. Foram oito horas de viagem até Johannesburg, minha primeira parada na África. Viajei ao lado de um moçambicano que tinha um cheiro de azedo insuportável. Seria meu primeiro contato com o odor que exalam os africanos. Antes da decolagem, os comissários de bordo da South African espalharam pelo ar um aerosol, tipo Bom Ar, acredito que para tirar a enhaca que conserva este povo. Bom, a viagem teria sido tranquila se não fosse pelo mal estar que o azedume me provocou. Tive que ir diversas vezes ao banheiro vomitar. Como o vôo estava cheio, não havia como trocar de assento. O moçambicano, de nome Luís Ferreira, só não ficou negativamente na minha memória, porque ele era super educado e gentil. Eu estava na janela e ele deu passagem para que eu fosse ao banheiro, diversas vezes, sem se mostrar irritado. Chegou a me ajudar na hora de entender o que dizia um comissário de bordo, que se dirigia a mim com seu inglês misturado com o africans. Africans é um dialeto falado na África do Sul, principalmente, entre fazendeiros de descendência holandesa, do interior do país. É uma mistura de holandês, com inglês e com o dialeto zulu. Bom, Luís foi super atencioso. Incusive me ajudou no desembarque em Johannesburg. Uma city cor de tijolo. Tudo é marrom e a vegetação das savanas, que rodeia o local, ajuda a reforçar esta cromia. Cheguei às 8h22 da manhã (3h da madruga, no Brasil), com a temperatura de 11 graus Celsius. O aeroporto é imenso. A cidade se prepara para receber os jogos do Mundial de 2010 e está reformando tudo. Atravessei várias esteiras até chegar à imigração. Não tive problemas no ingresso no país. A atendente apenas me fez uma pergunta: "Which does the reason of the visit?". Respondi, no meu inglês prosaico: "To work". E entrei sem maiores problemas. No saguão do aeroporto era esperado por Mahomed Adamo, que portava uma plaquinha com meu nome escrito. Mahomed é um moçambicano, que vive em Johannesburg há 15 anos, fugido da pobreza do seu país. Seu trabalho é receber estrangeiros e conduzí-los à sua hospedaria. Ele me levou até sua casa, no bairro de Kensignston, no seu Toyota Cressida de ano 2000, pois sua guesthouse estava lotada. No caminho, pude ver a primeira capa de um jornal local que estampava a manchete: "Rule of Violence". Perguntei do que se tratava e Mahomed me respondeu que muitos sul-africanos estavam atacando estrangeiros e queimando-os vivos. A xenofobia se deve à carência de postos de trabalhos no país e que muitos ex-patriados estavam tendo mais oportunidades, pois se submetiam a péssimas condições de trabalho e salários mais baixos. A perseguição é grande, principalmente, aos estrangeiros de Moçambique, país que fica acima da África do Sul e um dos maiores exportadores de mão-de-obra barata para este país. Perguntei a Mahomed se ele não temia essa onda de xenofobia e ele me respondeu que sim, com sua testa bastante franzida. Rezei baixinho para o Deus dele, Alá, protegê-lo. Mahomed é muçulmano, assim como toda a sua família. Ele tem quatro filhos: Jade, de 21 anos, e Yasser, 19, gerados no seu primeiro casamento. Sua esposa morreu de câncer há 12 anos. Ele casou-se novamente com Mila há 11. Ela é uma moçambicana viciada em novelas brasileiras. Ficou super triste quando eu a revelei que Lázaro Ramos e Thaís Araújo tinham terminado o romance. Com ela, Mahomed teve mais dois filhos: Yumna e Jamil, de 10 e sete anos, respectivamente. Jamil é uma criança super inteligente. Fala três idiomas: português, inglês e árabe. Mas prefere se comunicar em inglês. O tempo que passei em casa de Mahomed, passei conversando com Jamil. Dormi o restante do tempo. À noite, vi, com toda a sua família, um capítulo de A Favorita pela Globo Internacional que tansmite com deley de um dia a novela. Percebi como Thaís Araújo faz sucesso em África. Na manhã de domingo, saímos cedo de casa, por volta das 6h, e os termômetros marcavam 6 graus. Mahomed pôs um CD no seu automóvel com versos do Alcorão, que ele tem de recitar toda manhã. Enquanto ele repetia sua oração, eu repetia um mantra que aprendi para evocar bons fluídos em novas fases da vida: "Aum Shri Ganeshaya Namah". Traduzindo: "Salve o nome de Ganesha". Ganesha é um Deus védico, conhecido como Senhor dos Obstáculos. No aeroporto, não tive dificuldades em embarcar. Aliás, na África do Sul tudo funciona. Saí do país pontualmente às 8h45. Johannesburg é uma cidade de primeiro mundo, apesar da criminalidade. Lá, está o maior prédio da África com 55 andares. Segui para o portão de embarque. Muitos negros engraçados esperavam o vôo. Não conseguia entender o que uma madame rechonchuda, de seus 60 anos, e com um figurino à la Viúva Porcina dizia, mas fazia todos rirem. Uma negra lindíssima não parou de me paquerar. Mas eu estava elegantíssimo. Queria impressionar na minha chegada ao Congo. Não tive sorte mais uma vez na viagem. Sentou-se ao meu lado um negro todo vestido de branco, parecia mais um pai de santo, e banhado a Kouros, mas que não conseguia mascarar sua fedentina. Piorava a situação. Ele tentou puxar conversa comigo, perguntando de onde eu era e surpreendeu-se com o fato de eu ser do Recife. Cidade de onde ele estava vindo. Tentei falar com ele ora em francês, ora em inglês. Mas ele era logorréico. Tratei de fingir desmaio. Apaguei, de fato, a viagem inteira até Kinshasa, mais ou menos três horas de vôo. Na aterrisagem, todos os passageiros bateram palmas. Não contive as gargalhadas. Ao desembarcar no país, muita confusão. Minha vacina contra a febre amarela só começaria a validar no dia 5 de julho e tivemos que pagar 60 dólares para que eles liberassem meu ingresso no país. A moeda na República do Congo é o franco congolês. Quinhentos francos congoleses equivalem a um dólar. Após passar pela alfândega, onde um congolês de nome Júnior agilizava meu ingresso, pagamos a propina e fomos para a casa, num local chamado Vila, onde estou a morar. Aqui, só habitam os milionários do país. No caminho até a mansão, muito engarrafamento, afinal de contas, tratava-se de um dia de domingo de céu cinzento, como a maioria dos dias congoleses. As pessoas se dirigiam para o Rio Congo, segundo maior rio da África, que divide a República do Congo do Congo. Transportes alternativos precários e entupidos de nativos rumavam para o balneário. Uma hora no trajeto até a república, como chamamos a casa onde moramos. Aqui, um carneiro preparado pelo Eli, diretor do programa de TV do Congo Chance (nome do produto que estamos a implantar) foi servido com a minha chegada. Eli é piauiense, mas mora em Belo Horizonte, desde que o Poupa Ganha, antigo bingo na TV, chegou à cidade, levando-o como diretor de produção. Já trabalhou em outras loterias implantadas na Costa Rica e Angola. Seu savoir-faire na área é dos melhores. Bebemos muitas Skol belgas, de tamanho um pouco maior que a nossa, 700ml, e sabor mais forte. O que me deu uma baita dor de cabeça. A casa tem uma piscina imensa e pude relaxar tomando banho até o sol cair. Recolhemos-nos, em seguida, pois o mosquito transmissor da malária começa a atacar nesse horário. Bom, foi aí que este blog tomou vida. Agora são 16h15 do dia 30 de junho aqui em Kinshasa. No fim do dia, publico mais um post, contando o dia de hoje. Aguardem!
segunda-feira, 30 de junho de 2008
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Um comentário:
eeh isso ai queridissimo ! rapadura eh doce mas nao eh mole naoooo
hehehehe
gostei muito da sua ideia do blog..
sempre q o trampo deixar, vou ta por aqui nos comentarios.
mas ó: so se o trampo deixar ...
rsrsrs
que bom ter vc aqui !
xero!!
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